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Rafael Capanema

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Uma batalha de rima entre Dilma e Temer

Rafael Capanema

17/09/2019 18h16

Por ocasião da entrevista recente de Michel Temer no "Roda Viva", em que o ex-presidente disse que o impeachment de Dilma Rousseff foi golpe, mas que não foi golpe, resolvi ressuscitar a batalha de rima entre os dois que escrevi em dezembro de 2016, publicada no Twitter e no Facebook. Os tweets originais estão aqui, aqui e aqui.

Vocês vão notar que algumas passagens não fazem mais sentido (eu nunca conseguiria prever que o Sergio Moro se tornaria ministro da Justiça do governo seguinte, por exemplo). Também incluí alguns links para referências que podem não estar claras hoje, quase três anos depois.

Fiquei com vontade de escrever mais uma batalha de rima. O que vocês sugerem? Lula vs. Bolsonaro? Alexandre Frota vs. Carluxo? Deixem suas sugestões nos comentários!

E vamos finalmente à disputa entre Dilma e Temer:

MICHEL TEMER

Verba volant, scripta manent
Rimando em latim e derrubando a presidente
(Democraticamente!) Sem metranca e sem milico
Analfabetos / na presidência / eu erradico
De mesóclise em mesóclise digo ao povo que fico
Eu sou o Temer, petista treme, tranca o furico

DILMA ROUSSEFF

Meu nome é Dilma, apoiada por cinquenta milhões
E não golpista consagrado por trezentos ladrões
Com essa mãozinha / pequenininha / nem faz cosquinha
Quer meter o braço inteiro no traseiro do povo
Logo, logo vai virar decorativo de novo
Impichado, sem foro, no colo do Sergio Moro

MICHEL TEMER

Engraçado, querida, será que o povo enlouqueceu?
Ou não viu meu retratinho logo embaixo do seu?
"Apoiada por cinquenta milhões", que vergonha!
Hoje em dia quem te apoia é só quem fuma maconha
Te vi na foto do jornal acabada, arrasada
Deu peninha, mas eu dei uma gostosa risada
Dona Dilma no mercado com salsicha e tapioca
Deve estar sentindo falta de saudar a mandioca
De jantares importantes com comida de dondoca
Que eu como no Planalto e comia no Jaburu
Eu filé e foie gras, você peito de peru

DILMA ROUSSEFF

Ô, mordomo de filme de terror, eu sou do povo
Como queijo, requeijão, mortadela, pão com ovo
Seu filé está gostoso, mas é tudo temporário
Você vai meiar marmita no sistema carcerário
Com Justiça, Boca Mole, Todo Feio, gente assim
Vagabundos com apelido de vilão do Chapolin
E por falar em Todo Feio, me lembrei com carinho
Quando minha amiga Kátia deu um banho de vinho
No careca invejoso que é seu amiguinho
Eu ri tanto, quase cuspi o peito de peru
José Serra, papagaio molhado do belzebu
Kátia Abreu é nervosa e com ela não tem chabu
Vai pegar a motosserra e desmatar o seu **

MICHEL TEMER

Luiz Inácio te despreza, querida, não se iluda
O plano B, C e D do PT tá na Papuda
O jeito foi improvisar uma senhora moribunda
Uma Midas invertida, tudo que toca afunda
"Gerentona" que derruba até lojinha vagabunda
Porque sou / um homem educado, porém
Dar-lhe-ei pelo menos uma honra devida
A madame até que rima bem!
Para quem era reconhecida
Por nunca ter formado uma frase coesa inteira na vida

DILMA ROUSSEFF

Meus discursos, eu sei, não entraram pra História
Mas se o sangue sobe eu viro a rainha da oratória
Decrépito! Crápula! Drácula! Traiçoeiro!
Lambe-botas anão do capital financeiro!
Um homúnculo, um furúnculo no povo brasileiro
Alojou-se em nosso cólon como um oxiúro
Se imaginasse que eu seria traída, eu juro
Não teria me juntado a um tiozinho da Sukita
Parasita de concurso de miss, hoje golpista
Sacrifica os pobres num ritual satanista

Sobre o Autor

Rafael Capanema é formado em jornalismo. Trabalhou na Folha de S.Paulo e no BuzzFeed. Paulistano, mora em Madri desde 2015.

Sobre o Blog

Um espaço para entreter, tendo sempre o humor como norte, a partir da minha experiência como redator de entretenimento, repórter de tecnologia e autor de blogs nos primórdios.